sexta-feira, 25 de março de 2011

Poucas fases da vida levam a grandes transições em pouco tempo em jovens adultos como idades entre 19 e 30 anos, explica estudo finlandês

De acordo com a pesquisa, feita por Katariina Salmela-Aro, da Universidade de Helsinki, a transição da adolescência para a idade adulta é caracterizada por mudanças e rupturas constantes no status e no papel social desses indivíduos – desde entrar no mercado de trabalho, sair da casa dos pais e mesmo se tornarem responsáveis por um filho – além de assumirem responsabilidades cívicas que fazem parte da vida adulta.
O estudo longitudinal – também chamado coorte, ou seja, quando um grupo de indivíduos é acompanhado durante um período de tempo e, periodicamente, são coletados dados sobre estas pessoas – observou como os jovens adultos se adaptam aos diferentes cenários acadêmicos (ensino médio, universidade ou pós-graduação), trabalhistas, novos modelos de moradia (morar com amigos, namorados (as) ou sozinhos) e novas relações familiares. Esse complexo conjunto de cenários envolve diversas mudanças, sobrepondo fases e transições que ocorrem paralelamente.
A equipe liderada por Salmela-Aro identificou seis caminhos diferentes que levam à chamada “fase adulta plena”. O maior grupo é formado por aqueles que conseguiram achar um papel profissional estável e formar uma família (aproximadamente 24% dos participantes) e que também havia experimentado todas as transições chave da adolescência até a idade adulta em uma ordem mais ou menos linear.
Uma parte desse grupo foi denominada “fast starters” (“jovens iniciados”, em tradução livre) e que havia passado por todas as mudanças rapidamente. Outros foram denominados como “casais jovens”, e já tinham um relacionamento estável mesmo antes do final da universidade e de uma colocação profissional (mas ainda sem filhos).
O grupo dos “casais tardios” (que também somava aproximadamente 15% dos participantes) começava a trabalhar mais cedo, antes do final dos estudos, mas com relacionamentos afetivos estáveis mais tardios, vivenciando mais separações antes da idade adulta plena.
Já os com “carreira tardia” tinham dificuldades de se posicionarem no mercado de trabalho, assim como se envolver em relacionamentos estáveis, identificados como dificuldades em se comprometer no geral. Nesse grupo, a transição da adolescência para a fase adulta com família e carreira demorava a se concretizar quando comparados aos outros grupos.
“Nossos resultados indicam que os jovens adultos com um desenvolvimento rápido ou mediano parecem ter uma satisfação com a vida mais alta, ao contrário daqueles que vivenciaram um desenvolvimento tardio dessas fases. Já aqueles solteiros e com tempo prolongado nos estudos pareciam ter níveis de felicidade menores”, diz Salmela-Aro, cujos resultados finais do estudo foram publicados no periódico Advances in Life Course Research.
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com informações da Suomen Akatemia